Amor de mãe, rigor de educadora

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Foto: Divulgação

“Sei ter o pasmo essencial

Que tem uma criança se, ao nascer,

Reparasse que nascera deveras…

Sinto-me nascido a cada momento

Para a eterna novidade do Mundo…”

Fernando Pessoa, poeta português autor dos versos acima – escritos sob o pseudônimo Alberto Caieiro – descreveu com precisão o que faz da criança um ser único: a admiração diante da descoberta. Contemporânea de Pessoa, ainda que nascida 18 anos antes, a educadora, médica e pedagoga Maria Montessori (1870-1952), entendia esse aguçamento de sentidos característico dos primeiros anos de vida do ser humano – e desenvolveu um método educacional que virou modelo largamente adotado até hoje.

O método montessoriano, como passou a ser chamado, se vale dessa sensibilidade a estímulos para que a criança, sob a supervisão de um educador e em seu próprio ritmo, aprenda com o ambiente ao redor. O objetivo é fazer com que ela se desenvolva social, motora e intelectualmente de forma natural e intuitiva.

Adepta do método, a educadora Juliana Centola, que se intitula “Mamãe Montessori”, é autora do livro “Montessori em Casa”, que está em pré-venda e será lançado em 4 de agosto. A obra é uma espécie de guia que soma a bagagem adquirida por ela em instituições da rede Montessori no Exterior com a criação dos filhos, Júlia, de 6 anos, e Lorenzo, 4, dentro do método montessoriano.

Nascida em Campinas, onde morou até 2013, e formada em comunicação social e artes visuais, Juliana começou a se especializar nessa área da pedagogia na Filadélfia (EUA), para onde se mudou com o marido. Lá, frequentou um curso de treinamento de um ano e meio no método Montessori para professores de crianças de 3 a 6 anos no Montessori Teacher Training of Philadelphia.

Veio a maternidade, e com ela um desafio: Júlia, a primogênita, nasceu prematura. Com isso, a mãe-educadora viu a necessidade de uma nova especialização para atender às necessidades da pequena. “Como percebi que ela precisava de estímulo para se desenvolver, cursei (especialização em) Montessori dirigida a crianças de 0 a 3 anos”, conta Juliana. “Desde os primeiros meses eu usava um móbile para estimulá-la, desenvolver a concentração”, diz a educadora, que percebeu os resultados quando a filha tinha poucas semanas de vida. “Ela logo se equiparou a crianças da idade dela”, recorda.

Cerca de um ano e meio depois, nasceu Lorenzo. Agora com quatro integrantes, a família Centola – o caçula tinha então 4 meses – encarou nova mudança: o pai recebeu uma proposta de trabalho em Schaffhausen, na Suíça. Superado o obstáculo da língua, Juliana começou a frequentar um grupo de freispiel, ou “livre-brincar”, sistema pedagógico que propõe que as crianças fiquem absolutamente livres para escolher suas brincadeiras e atividades. Ainda que considerasse o método “raso” para alguém com uma bagagem àquela altura bastante considerável, a educadora trouxe ao grupo os chamados “materiais Montessori” – objetos manipuláveis que funcionam como ferramentas para ajudar a desenvolver o conhecimento e o pensamento abstrato das crianças.

Dividida entre a rotina de cuidar da casa e dos filhos, Juliana soube se equilibrar com a experiência de uma montessoriana: envolveu a primogênita (o caçula ainda era bebê) em tarefas ao mesmo tempo rotineiras e educativas. “Se eu fosse preparar feijão, enchia uma bacia com os grãos, deixava ela brincar, fazer uma exploração sensorial”.

A execução dessas pequenas tarefas, aliás, têm grande importância no desenvolvimento infantil. “Há atividades que os adultos realizam pelas crianças sem deixar que elas tenham a chance de fazerem sozinhas, como pegar água no filtro ou dobrar a própria roupa. São pequenos atos que trazem muita grandiosidade para a criança. Ela percebe que é capaz de fazer”, afirma. “Elas desenvolvem muito melhor a coordenação tanto grossa (pular, subir e descer escadas) quanto fina (pintar, desenhar e manipular pequenos objetos), coisa que a criança que fica parada, assistindo televisão, não tem”, compara.

O livro

A ideia de “Montessori em Casa” surgiu com a pandemia. Juliana considerou que, com a imposição das medidas de isolamento social e o consequente fechamento das escolas, um livro com dicas educativas para os pais com filhos pequenos atenderia uma demanda importante. A obra começou como um e-book e acabou virando um livro impresso de 102 páginas, pela Chiado Editora, de Portugal.

SERVIÇO

Amor de mãe, rigor de educadora 1

“Montessori em Casa”, de Juliana Centola

Chiado Editora, 102 págs.

Preços: R$ 44,00 (livro físico) e R$ 20,00 (Kindle)

Lançamento: 4 de agosto

Em pré-venda na Amazon e Livraria da Travessa

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