Boulos começa por Campinas a briga pela sucessão de Doria

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Foto: Reprodução/Redes sociais

Com um giro pelo Interior iniciado por Campinas nesta quinta-feira (10), o líder do PSOL Guilherme Boulos confirmou na cidade que colocou seu nome à disposição do partido para ser candidato a governador do Estado – congestionando ainda mais o xadrez pré-eleitoral paulista, já movimentado ainda a um ano das eleições.

Derrotado na disputa pela Prefeitura de São Paulo no segundo turno, Boulos disse ao RadarC que trabalha para construir uma união entre os partidos de esquerda para os pleitos estadual e federal, e também para ampliar o leque de discussões com diferentes setores para “quebrar preconceitos” contra essas legendas. Em Campinas, por exemplo, ele se encontrou com representantes da Associação Comercial e pesquisadores do Instituto Agronômico.

“Coloquei meu nome à disposição do partido para concorrer ao governo pois neste momento de crise, creio que cabe às lideranças se posicionarem, e não ficar embaixo da mesa. Acho que há uma janela de oportunidade para derrotar o ‘Tucanistão’ e virar a página da hegemonia do PSDB no Estado”, disse Boulos.

Apesar da defesa da coalizão, atualmente o cenário na esquerda aponta para uma candidatura própria do PT no Estado, com o ex-prefeito e presidenciável Fernando Haddad, além de movimentações do ex-vice-governador Márcio França (PSB). Do lado governista, mesmo que o governador João Doria opte por concorrer à presidência da República, o PSDB deverá ter um nome próprio na disputa. Outra figura que desponta nos bastidores é o do ex-governador Geraldo Alckmin, seja como candidato tucano ou por outro partido.

Para Boulos, a aposta para construir uma frente de esquerda está em debates sobre programas de governo convergentes. “Apostamos no diálogo e na disposição para fazer concessões, necessária na política. Mas ainda estamos a um ano da eleição, não é algo para esse momento. Nos próximos meses isso pode ir se desenvolvendo”, afirmou.

No início de seu giro pelo Interior, que chamou de “Virada Paulista”, o político, além de reuniões com comerciantes e pesquisadores, se encontrou com vereadores de esquerda e movimentos sociais. A agenda inclui debates com visita ao eixo internacional de desenvolvimento sustentável – desenvolvido por pesquisadores da Unicamp, PUC-Campinas e a Prefeitura – almoço com professores e visita à ocupação Vila Soma, em Sumaré. Na semana que vem, ele passará pelo Vale do Paraíba.

O economista e diretor da Associação Comercial e Industrial de Campinas (Acic), informou via assessoria que a entidade, “enquanto apartidária e interlocutora do comércio”, estará presente em todas as reuniões com candidatos ou representantes do poder público e do meio empresarial para ouvir suas propostas ou apresentar demandas.

“Há quem acredite que partidos de esquerda só falam com setores ligados a eles, como os movimentos sociais. Queremos quebrar esses preconceitos promovendo diálogo com diversos segmentos. Em Campinas conversei com o pessoal da Associação Comercial, vou ver um eixo de tecnologia, falei com pesquisadores para discutir suas demandas. Vamos também organizar em breve um ciclo de debates sobre os problemas de São Paulo. Podemos ir mais fundo, saindo dessas discussões de WhatsApp e memes”, informou o líder do PSOL. Segundo ele, um dos problemas sobre os quais tem conversado é sobre o “sucateamento das áreas de educação e pesquisa” no Estado. 

O Congresso do PSOL que discutirá, entre outros temas, a possibilidade de alianças eleitorais em 2022, está marcado para setembro. Atualmente, o assunto é polêmico mesmo internamente. Uma possível composição em chapa com o PT do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva a nível nacional, por exemplo, divide opiniões na legenda, sendo que uma de suas alas já trabalha a candidatura própria do deputado federal Glauber Braga (RJ) à Presidência, já que há disposição de Boulos em disputar a sucessão paulista. 

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