O atraso na vacinação em todo o país fez com que muitos brasileiros decidissem ir ao exterior em busca da tão sonhada imunização para a Covid-19. Seja por motivos familiares ou profissionais, o chamado “turismo da vacina” é uma alternativa ao alcance de poucos, mas que traz certo alívio e também reflexões. O curitibano Marco Brotto, 50 anos, decidiu viajar para Miami no início de maio em busca da vacina Janssen, da Johnson & Johnson, por motivos profissionais e hoje já está imunizado com apenas uma dose.

Brotto, que é reconhecido internacionalmente como O Caçador de Aurora Boreal e há 10 anos organiza expedições aos países do Ártico em busca do fenômeno, está entre os brasileiros que tiveram seu negócio paralisado pela pandemia. No momento em que as vacinas começaram a ser aplicadas e o mundo passou a ser imunizado, ele passou a enfrentar uma série de dilemas que vão além da lentidão da imunização no Brasil. 

“A grande maioria dos países onde acontecem as auroras boreais estão aceitando por enquanto apenas turistas imunizados com vacinas como a Moderna, a Janssen ou Pfizer, por isso fui atrás de uma delas nos Estados Unidos. Além da demora na vacinação brasileira, não tenho como saber qual vacina seria aplicada quando chegasse a minha vez. Precisei garantir uma vacina mundialmente aceita”, explica. Segundo Marco, a expectativa é que os países do Ártico reabram para o turismo de forma ampla a partir de setembro e a urgência da vacina também está relacionada ao tempo de imunização de cada dose. Até a data da viagem de Brotto a Coronavac ainda não tinha sido aprovada pela Organização Mundial de Saúde (OMS).

A viagem

A viagem em busca da vacina durou 21 dias, com um período obrigatório de quarentena no México, onde não é necessário apresentar um teste PCR-RT ou antígeno negativado. “Eu recomendo fazer os testes, eu mesmo fiz. Além de uma garantia pessoal contra a doença, é uma maneira de respeitar o próximo”, afirma.

Brasileiro relata viagem em busca da vacina nos EUA 1

Brotto saiu de Curitiba no dia 11 de maio rumo a Cancún, no México, onde ficou por 16 dias. No dia 27 de maio embarcou para os Estados Unidos, com visto de turista, e foi vacinado no Aeroporto Internacional de Miami.

“Você tem a vacina disponível em lojas e farmácias, mas também no aeroporto. A mecânica é muito simples: você se apresenta, preenche uma ficha e já é vacinado, não precisa responder nada em especial ou se explicar. É uma verdadeira lição de cidadania o que vi os americanos fazendo. Eu me senti respeitado, seguro e amplamente atendido como cidadão, da mesma forma como gostaria de me sentir dentro do Brasil. Foi emocionante e triste ao mesmo tempo”, detalha.

Alívio e indignação

Brotto relata que o alívio pela imunização vem junto com a indignação, que sempre volta a lembrar que esse ainda é um privilégio de poucos brasileiros da sua idade. “Ser vacinado é um momento de muita emoção e alívio. Ao mesmo tempo é um sentimento de impotência e indignação, pois gostaria que todos pudessem ter acesso tão fácil, rápido e desburocratizado à vacina, assim como eu tive”, diz.

Segundo ele, a decisão de sair do país foi muito pensada, tanto pelo lado econômico quanto pela questão moral. Hoje o empresário do ramo do turismo incentiva quem tem condições a viajar em busca da vacina. “Pensei muito sobre o assunto e cheguei à conclusão de que quanto mais brasileiros imunizados, melhor para todos os brasileiros. Essa é a verdade. A vida normal, segura, precisa ser retomada o quanto antes. Recomendo que façam a quarentena na Costa Rica ou no México, lá os custos são mais baixos e me senti muito seguro o tempo todo”, analisa.

Brotto recomenda que os interessados no turismo vacinal pesquisem muito antes de fechar o pacote. “O ideal é buscar agências ou assessorias sérias para não cair em conexões indevidas”, finaliza.

Aumento na procura pelos EUA

Pesquisa recente da Assist Card aponta um aumento significativo, de mais de 140%, nas buscas por destinos como Estados Unidos e mais de 800% nas pesquisas por México. A pesquisa foi realizada na segunda quinzena de maio, logo após o anúncio de que a cidade de Nova Iorque começaria a disponibilizar vacinas contra a Covid-19 para turistas.

Neste mesmo período, a média de dias de viagem saltou de 15 para mais de 35 dias, apontando um novo perfil de turismo, com estadias mais longas no exterior. Para atender a este novo perfil de viajantes, a Assist Card está oferecendo 25% de desconto nas viagens com mais de 30 dias de duração, para México e Estados Unidos. 

“Queremos incentivar o turismo seguro e, para isso, além de obedecer aos protocolos sanitários, é importante viajar com um bom plano de seguro viagem. Sendo assim, estamos concedendo 25% de desconto nos planos com coberturas médicas entre US$ 60 mil e US$ 250 mil”, explica Alexandre Camargo – country manager da Assist Card no Brasil. Esta campanha é válida para apólices emitidas entre 1 e 15 de junho de 2021, com embarques até 31 de dezembro deste ano.

Vale lembrar ainda que a Assist Card também oferece descontos na realização do teste RT-PCR para seus passageiros. A companhia possui convênio com mais de 100 clínicas e laboratórios ao redor do mundo, para a realização do exame com até 20% de desconto.

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