Enem: hora de focar no futuro universitário

0
Isabela Santana esta entre os que atingiram nota máxima na Redação (Foto: Arquivo Pessoal/Agência Brasil)

Depois de muitos vaivéns, as inscrições ao Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) 2021 para os estudantes de baixa renda, que tiveram isenção de taxa na edição do exame em 2020, mas não compareceram à prova, terminam neste domingo (26). Com o fim dessa etapa, a hora é de focar 100% nos estudos e buscar a nota 1.000 na redação, para fazer a diferença na porta de entrada para um futuro universitário.

As inscrições podem ser feitas na Página do Participante, sem que seja necessário justificar a ausência no Enem 2020 ou pagar a taxa de inscrição.Enem: hora de focar no futuro universitário 1Enem: hora de focar no futuro universitário 2 Os candidatos também poderão solicitar atendimento especializado, até 26 de setembro, e tratamento pelo nome social, até 27 de setembro.

Anteriormente o processo do Enem excluía de isenção da taxa de inscrição os estudantes beneficiados, mas ausentes na prova anterior. Porém, em 14 de setembro, o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) reabriu o prazo de inscrição para os isentos ausentes no Enem 2020 em cumprimento a uma decisão do Supremo Tribunal Federal (STF).

O valor da taxa de inscrição no Enem é de R$ 85,00 e, pelas regras do primeiro edital, quem teve direito à isenção no Enem 2020, mas faltou à prova, só poderia obter nova gratuidade no Enem 2021 se conseguisse justificar a ausência. As justificativas precisavam ser comprovadas documentalmente, bem como se encaixar nas hipóteses previstas, que incluíam situações como acidentes de trânsito, morte de familiar, emergências médicas e assaltos, entre outras.

Entretanto, o STF entendeu que, em razão da pandemia da Covid-19, as provas do ano passado foram aplicadas em um contexto de anormalidade, e a exigência de comprovação documental para os ausentes viola diversos preceitos fundamentais, entre eles o do acesso à educação e o de erradicação da pobreza. Além disso, a obrigação imposta pelo edital penaliza os estudantes que fizeram a “difícil escolha” de faltar às provas para atender às recomendações das autoridades sanitárias de evitar aglomerações.

Calendário

Para os isentos ausentes no Enem 2020, as inscrições do Enem 2021 são exclusivamente para o modelo impresso. As provas serão aplicadas em 9 e 16 de janeiro de 2022, mesma data da realização do Enem para Pessoas Privadas de Liberdade e jovens sob medida socioeducativa que inclua privação de liberdade (Enem PPL).

A aplicação das provas nos dias 21 e 28 de novembro de 2021 está mantida para todos os participantes que já tiveram a inscrição confirmada no exame, conforme previsto no edital regular. Ao todo, 3.109.762 pessoas foram confirmadas para o Enem 2021, nas duas versões do exame, impressa e digital. Esse foi o menor número de inscrições desde 2005.

Isenção

O novo prazo para inscrição com isenção da taxa vale para aqueles que comprovarem ter direito à gratuidade, mas sem que precise justificar falta na edição anterior do exame.

Pessoas que cursaram todo o Ensino Médio em escola pública ou que foram bolsistas integrais durante toda a etapa em escolas particulares têm direito à gratuidade na inscrição do exame. Estudantes que estão cursando a última série do Ensino Médio na rede pública, no ano de 2021, também podem pedir a isenção.

O mesmo vale para quem está em situação de vulnerabilidade socioeconômica por ser membro de família de baixa renda. Nesse caso, é preciso comprovar a inscrição no Cadastro Único para Programas Sociais do Governo Federal (CadÚnico).

Nota mil

Persistência e constância são palavras-chave para alcançar a nota máxima na prova de redação do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) 2020. A dica é da estudante brasiliense Isabela Saraiva, responsável por uma das 28 redações que atingiram esse patamar. Entre os alunos com nota mil, 71,4% são mulheres.Enem: hora de focar no futuro universitário 3Enem: hora de focar no futuro universitário 4

A pandemia de Covid-19 e o impacto no sistema de ensino mudaram a rotina diária de 12h de estudos de Isabela. Para alcançar a excelência na prova, a estudante precisou se adaptar para manter o foco e não perder o estímulo. 

“Trazer a rotina de estudos para dentro de casa de tornou um desafio muito grande, pois essa nunca havia sido a minha realidade: desde o Ensino Médio, eu estudava fora de casa, tanto no período da manhã (na escola), quanto no período da tarde (no cursinho preparatório para o PAS). Com isso, minha rotina teve que mudar bastante. Mesmo que eu tentasse manter os horários de antes, estar em casa proporcionava confortos que antes eu não teria. E estudar é exatamente sair da zona de conforto. Então lidar com esse paradoxo foi bem difícil”, conta a estudante.

De acordo com Isabela, a rotina exigia uma redação por semana, e, às vezes, duas, quando tinha simulados. No entanto, as dificuldades quase fizeram com que a futura estudante de medicina desistisse de fazer a prova.

“Com a pandemia, eu precisei driblar, com todas as forças, a falta de atenção e a procrastinação. Isso foi bastante desafiador. No meio do ano, em julho, pensei que aquele seria um ano perdido, pois eu não estava mais tendo o mesmo rendimento de antes. Pensei que estava no caminho errado, por não estar sendo tão produtiva quando eu gostaria. Isso me fez pensar em desistir. Já não sentia mais prazer em estudar. Com a ajuda da minha família, principalmente dos meus pais, consegui me reerguer, e esse foi o recomeço mais importante da minha vida”, avalia.

As dificuldades impostas pela pandemia de Covid-19 também não afastaram o sonho da jovem estudante de Belém do Pará, Sofia Lorenzoni Vale, 19 anos, em alcançar uma vaga no curso de medicina. Para atingir a nota 1000 na redação, a estudante conta que o diferencial foi criar o hábito de produzir textos associado à leitura.  

“O que eu considero que fez a diferença foi produzir textos com frequência, prestando muita atenção na correção dos professores e cronometrando o tempo. Além disso, selecionar bastante repertório sociocultural ao longo do ano foi muito importante”, disse Sofia.

Segundo a estudante, a rotina de estudos foi mantida mesmo com os desafios de manter o esquema escolar durante o período em que as atividades se mantiveram exclusivamente a distância. Apesar da angústia com a situação global, a vontade de ser médica foi o impulso para manter os estudos.  

“Acho que durante uns quatro meses foi exclusivamente online, o que não foi muito bom. Mas depois o cursinho passou a funcionar por rodízio: eu ia uma semana e fica outra em casa, foi assim até a prova do Enem. Porque aprender virtualmente nunca é a mesma coisa que presencialmente. A concentração, a motivação e o feedback dos alunos ficam prejudicados”, avaliou.

(Com Agência Brasil) 

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor,deixe seu comentário
Por favor, informe seu nome aqui