Entrevista: Arly de Lara Romêo

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Foto: Divulgação

O presidente da Cohab fala sobre os desafios à frente da empresa, as propostas para resolver os problemas de moradia na cidade e as metas que pretende atingir durante sua gestão

O senhor tem um longo histórico no serviço público de Campinas e já ocupou diversos cargos de destaque. O senhor considera a Cohab mais complexa em termos de desafios de gerenciamento do que aqueles pelos quais já passou? E porque?

Arly de Lara Romêo: Sim, porque os recursos são escassos e a demanda é muito grande. Mas gosto de desafios e o corpo de funcionários está empenhado na nova configuração da empresa, com novas atribuições e nova estrutura, e podermos atender à população de baixa renda, evitando e desestimulando as ocupações, que são sempre traumáticas e acarretam muitas dificuldades para colocação posterior da infraestrutura (viária, rede elétrica, de água, de esgotos, equipamentos, postos de saúde, creches, escolas etc)

Como está hoje a fila para a moradia em Campinas – e como anda o ritmo de atendimento, considerando inclusive as restrições causadas pela pandemia?

Arly: O Cadastro de Interessados em Moradia, o CIM, tem hoje 45 mil inscritos. Mais da metade é formada por famílias com renda mensal inferior a dois salários mínimos. O custo da terra em Campinas é o principal obstáculo para atender esta faixa de público, já que encarece o custo de qualquer empreendimento. Temos buscado parcerias com em construtoras focadas em empreendimentos habitacionais populares, com ofertas de imóveis pelo programa Casa Verde Amarela, com financiamento pela Caixa Econômica Federal.  Este ano já possibilitamos a oferta de mais de cinco mil unidades habitacionais para quem tem renda mensal de até seis salários mínimos, através de parcerias com seis construtoras – inclusive uma delas está disponibilizando 200 apartamentos para quem tem renda familiar a partir de R$ 1.600 por mês. Assim, de 2019 até agora, já conseguimos atender a mais de 2.600 mil famílias.

O senhor tem planos para acelerar esse processo?

Arly: Temos muitos projetos interessantes, e dois deles inclusive já se encontram na Câmara Municipal para converterem-se em lei. Um é a aprovação pela Cohab dos projetos de empreendimentos habitacionais de interesse social, o que tornará mais ágil o processo de implantação de novos núcleos residenciais populares no município. O outro é o que permite, em regiões específicas, o lançamento de empreendimentos habitacionais em terrenos com área mínima de 90 metros quadrados, possibilitando a redução do custo do imóvel. Também lançamos recentemente o Banco de Áreas, um serviço gratuito da Cohab, que auxilia a aproximação do proprietário de uma área com eventuais compradores, visando ampliar o número de empreendimentos populares na cidade.

Há uma estimativa de quantos imóveis irregulares a cidade tem hoje – e existe um cronograma de regulamentações?

Arly: Campinas tem hoje cerca de cem mil imóveis irregulares e mais de 270 núcleos residenciais informais. O processo de regularização envolve múltiplas etapas e, apesar dos avanços trazidos pela Lei 13.465/17, ainda é moroso – e dependendo da complexidade de cada caso, pode se arrastar por anos. Os mais rápidos têm tramitação de dois anos em média, mas há os que se estendem por cinco anos ou mais. De 1980 até 2018, Campinas regularizou pouco mais de seis mil imóveis. Em 2019 e 2020, foram 9.500 e este ano já entregamos 2.111 matrículas e temos mais de mil em fase final de emissão pelos cartórios de registro. Nossa meta é atingir cinco mil até o final deste ano. 

A busca por auxílio-moradia provavelmente aumentou sensivelmente com a pandemia. O senhor tem ideia de quanto foi esse aumento – e como vem sendo possível atender aos pedidos?

Arly: O aumento dos beneficiados do auxílio moradia, que foi de 14% em relação a anos anteriores, deveu-se muito mais à nossa política habitacional de desestímulo a ocupações em áreas de risco de enchentes e deslizamentos ou de proteção ambiental do que propriamente em razão da pandemia. Os recursos para provimento deste serviço são os do Fundap (Fundo de Apoio à População de Sub Habitação Urbana).

Quais são as suas metas à frente da Cohab – e dentre elas, qual o senhor considera como prioridade?

Arly: Nossa principal meta é tornar a Cohab uma empresa auto-sustentável, que não precise mais recorrer aos cofres públicos para exercer seu papel. Conseguiremos isso através de parcerias na oferta de imóveis, na comercialização de imóveis obtidos em contrapartidas de empreendimentos e da venda de serviços de regularização fundiária de interesse específico. Outras metas são a regularização de cinco mil imóveis informais este ano e ampliação do Cadastro de Interessados em Moradia.

Uma palavra sua para as pessoas que aguardam pelo sonho da casa própria através da Cohab de Campinas

Arly: Nós vamos avançar e oferecer várias opções habitacionais para a população de baixa renda. Queremos promover loteamentos com preço acessível e também unidades habitacionais, casas e apartamentos com metragens em torno de 40 m2.

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