Guarani se planeja com um tijolinho por vez

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Ricardo Moisés acredita que o Guarani vai brigar pelo acesso até o final do campeonato: presidente destaca organização administrativa e fala sobre desafios na pandemia (Foto: Thomaz Marostegan/GuaraniFC)

Carlo Carcani Filho

A temporada 2021 ainda não acabou – e o presidente do Guarani, Ricardo Moisés, acredita que o time vai brigar pelo acesso até o final da Série B. Mas, independentemente da conquista ou não de uma vaga na elite, o clube faz a sua temporada mais regular desde que voltou a disputar o Paulistão e a Série B.

Nesta entrevista, o dirigente fala sobre essa evolução, se mostra confiante que o novo estádio terá mais do que a capacidade mínima estipulada em contrato e destaca como é importante um clube trabalhar com paz política.   

Desde que o Guarani voltou a disputar o Paulistão e a Série B, a temporada de 2021 é a de melhor desempenho. A que fatores o senhor atribui essa evolução?
São vários fatores. Desde que esse CA (Conselho de Administração) foi eleito, com organização administrativa e a seriedade do trabalho na montagem do elenco, a gente conquistou uma paz política muito grande. A partir do momento que você tem isso dentro do clube, consegue dedicar seu tempo à gestão e à montagem e acompanhamento do elenco. E quando conseguimos fazer uma programação financeira muito boa, isso começa a refletir nos resultados. São esses fatores que levaram à realização da melhor campanha dos últimos anos.

O senhor vê o Guarani em evolução? Em 2022, será possível dar um passo à frente?
Eu converso muito com o CA sobre essa situação e até brinco com eles que ainda não chegou nenhum sheik aqui cheio do dinheiro para resolver os problemas do Guarani do dia para a noite. Mas a nossa visão é de um tijolinho por dia, construindo uma base sólida. No ano passado fizemos um bom Paulista e chegamos à final do Interior. Esse ano já melhoramos e fomos até as quartas de final. Na Série B de 2020 ficamos na briga até a 30ª rodada, quando tivemos o surto de covid. Agora já vamos na briga até o fim. Com um tijolinho por vez, podemos buscar resultados melhores a cada ano.

Por falar em sheik, há rumores de que um fundo árabe pode comprar um time do Brasil. O senhor acredita que no futuro isso acontecerá com todos?
Não acho que será com todos. Não vejo clubes grandes como Flamengo, Corinthians, Grêmio e outros nesse modelo. Mas acredito na gestão, Independentemente desse tipo de investimento, todo clube deve ser administrado como uma empresa. 

Fora de campo, o Guarani ainda sente os efeitos da pandemia ou o pior já passou?
Ainda sentimos os efeitos e acho que vamos sentir por mais um bom tempo. A volta do público tem sido tímida porque muitos torcedores ainda têm receio de comparecer aos estádios. A gente tinha um planejamento para dar um passo maior, mas com a pandemia, e também por cautela, a gente diminuiu esse passo. Tivemos um aumento de despesa muito grande em 2020 e 2021 e uma diminuição de receita. Mas mesmo com essas dificuldades conseguimos revitalizar boa parte do clube para os sócios, evoluímos nas montagens dos elencos e também conseguimos um CT para a base, uma benfeitoria que o clube nunca teve em 110 anos de história.

E o novo estádio?
É um caminho sem volta, já que perdemos o Brinco de Ouro em 2015. O Guarani precisa se modernizar. As receitas com uma nova arena vão aumentar. Um CT melhor dará mais condições de trabalho ao departamento de futebol. Infelizmente não será do tamanho do Brinco, mas será suficiente para atender as necessidades do Guarani.

A torcida tem uma certa apreensão em relação à capacidade da arena. No momento o senhor trabalha com que número de lugares?
Foi acertado 12 mil, mas existe um trabalho do CA para conseguir aumentar esse número para 20 ou 25 mil pessoas.

O senhor está otimista em relação a esse trabalho?
Estou bem otimista e satisfeito com os primeiros projetos apresentados.

E a reta final da Série B? Faltou alguma coisa no meio do caminho ou a briga pelo acesso ainda está aberta?
O Guarani briga sim, até o final, por esse acesso. É o nosso objetivo e não vamos medir esforços para conquistá-lo. Estou feliz com a campanha, mas sei que cometemos alguns deslizes e deixamos alguns pontos que não poderíamos perder pelo caminho. Mas estou feliz com a evolução do time e focado em dar a melhor condição para o elenco na busca pelo acesso.

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