Embarcar em uma motocicleta Harley-Davidson é levar na garupa toda a bagagem e tradição de uma das mais reverenciadas marcas de motocicletas do mundo. Apesar de os tempos serem outros, com motos elétricas correndo pelas ruas, uma Harley é sempre vista com admiração e respeito. Mas, a fabricante norte-americana não quer – mais precisamente, não pode – ficar parada no tempo, para desespero dos puristas. E as mudanças em alguns modelos foram necessárias para conquistar um novo público motociclista, os jovens.

É aí que entra em grande estilo a Fat Bob 114, uma máquina com design e motor modernos, pronta para arrebanhar uma nova legião de fãs. É uma Harley-Davidson em estado puro, ainda que seu estilo fuja dos cromados tradicionais. Os puristas da marca torcem o nariz, mas a lendária fabricante norte-americana sabe que os tempos são outros, e o mercado também.

É uma discussão antiga dentro da fabricante, que se divide entre o tradicional e o moderno, em busca de novos motociclistas, que não ligam para tradição ou grandes e barulhentas motos. A Softail Fat Bob 114 está na medida certa. Uma mistura de cruiser com roadster, com pneus largos, guidão reto, sem cromados, rabeta curta e somente o necessário. Uma moto bastante agradável aos olhos de motociclistas mais jovens.

Esse upgrade aconteceu a partir dos modelos 2018, quando a Fat Bob saiu da família Dyna e entrou na família Softail. Tudo mudou, motor, ciclística, design, faróis, suspensão. E ela até emagreceu, perdeu 15kg em relação ao modelo anterior e ganhou o slogan “Devoradora de Ruas”.

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Harley-Davidson Fat Bob 114 na cor vermelha (Fotos: Divulgação)

É justo, pois a cada girada no acelerador, por mais suave que seja, ela confirma essa fama. A Harley-Davidson Fat Bob 114 é uma verdadeira devoradora de asfalto. Pilotar essa máquina é sentir um poder exagerado nas mãos, que todo motociclista gosta. Ronco forte e potência agressiva que seu motor de 1.868 cm³ despeja na roda traseira.

Confesso que assusta ver toda essa potência sobre duas rodas, ainda mais por ela não possuir qualquer mecanismo para controlar sua força bruta, como controle de tração, de estabilidade, ou modos de pilotagem.

Mudanças na suspensão

E as mudanças não param por aí? Lembra daqueles dois amortecedores traseiros, usados desde meados do século passado em motos da marca? Sumiram. Deram lugar a um monoamortecedor central, escondido sob o banco. A suspensão traseira pode ser regulada facilmente de acordo com a carga ou garupa apenas girando um botão, sem precisar tirar banco ou carenagem.

Na dianteira, garfos invertidos Showa com 130mm de curso em estilo de corrida e tecnologia de cartucho único, melhoram a resposta à pilotagem e à frenagem. O resultado é que a moto é confortável, absorve a bem a buraqueira das ruas e estradas, passa suavemente sobre lombadas e não fica acanhada em estrada de terra.

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O charme da moto passa também pelos dois escapamentos grandes, curvados para cima, que emitem um som poderoso e chamam a atenção por onde passa. Outro destaque são as rodas aro 16, de alumínio com pneus largos e agressivos que garantem a tração devoradora de asfalto. Só para ter ideia, o pneu dianteiro mede 150 mm e o traseiro 180mm.

Na frente, os antigos faróis redondos duplos deram lugar ao canhão retangular de Led Daybreaker, reforçando a cara futurista da moto. Além disso, oferece uma visibilidade excelente à noite e, durante o dia, garante que a moto seja vista. Na traseira, os piscas em Led funcionam como lanterna e como pisca.

Apesar de tudo isso, ela mantém a “verve” da Harley-Davidson. O painel está embutido no tanque de combustível, onde consta um tacômetro analógico com velocímetro, indicador de marcha, hodômetro, nível de combustível, indicador de consumo de combustível e hodômetro parcial e digital. E nenhum apetrecho tecnológico a mais. Ah sim, tem uma entrada USB para recarregar celular ou conectar GPS. 

Força superior a um carro 1.0

A Fat Bob utiliza o novo Milwaukee-Eight 114, um V-Twin a 45° com 1.868 cm³, capaz de entregar 16 kgf.m de torque (para efeito de comparação, um carro 1.0 tem em torno de 10,5 kgf.m) em 3.250 rpm.  

Essa potência faz com que por mais suave que seja o toque no acelerador, ela salta para frente. As respostas são imediatas, graças também ao acelerador eletrônico, fazendo com que os 306 kg do “monstro” ganhem velocidade rapidamente e o piloto fique agarrado firmemente ao guidão para não ficar pelo caminho. O câmbio é de seis marchas e a transmissão final é por correia dentada.

E para segurar esse bólido, a H-D utiliza freios fabricados por ela própria, com disco duplo de 300mm e pinças com 4 pistões na dianteira, e na traseira disco simples de 292 mm, pinça com 2 pistões, administrados pelo sistema ABS. Nada de freios combinados, mas posso dizer que funcionam muito bem.

Apesar da potência do propulsor, ele se comporta muito bem no trânsito travado da cidade, sem engasgos ou soluços. O largo guidão, porém, não permite passar facilmente pelos corredores, mas também não há pressa. O calor que emana entre as pernas é suportável e posso dizer que a vibração é zero, graças ao novo sistema de contrabalanços interno. Um grande e agradável diferencial em relação a outras motos da marca, em que os braços tremiam em marcha lenta. O que não me agradou muito foram os retrovisores. Pequenos e de hastes curtas, não permitem ver quem está exatamente atrás da moto. E isso incomoda, obrigando a grandes giros de pescoço.

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Outra coisa bastante prática, e que já faz parte das motos da Harley-Davidson, é a chave inteligente com sensor de presença. Basta estar com ela no bolso para ligar a moto. Ao se afastar, o alarme é acionado. A altura de 710mm do assento em relação ao solo favorece aos baixinhos. Dá pé, sim. Claro, não é fácil lidar com os 306 kg e 2,3 metros da possante, mas logo pega o jeito e vai embora. Fazer manobras em baixa velocidade requer atenção.

As pedaleiras bastante avançadas no começo geraram certo desconforto. Acostumado com motos trail, frequentemente buscava as pedaleiras na posição mais horizontal. O assento é largo e confortável, mas senti um certo desconforto por ficar muito tempo com os braços esticados, o que me obrigava a inclinar o corpo para frente com certa frequência. Coisa de acostumar com a moto. Entretanto, a garupa precisa se ajeitar sobre um assento bem reduzido. Acho que não deve ser confortável.

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Ouvi dizer e li por aí que a embreagem era dura de acionar. Nada disso. Não chega a ser suave, mas nada anormal. Por falar em embreagem, não posso esquecer do inevitável som de “martelada” na troca de marchas, principalmente ao engatar a primeira. Seu tanque de combustível de 13,6 litros permite uma autonomia próxima de 250 km, ou seja, uma média de 18km/l, isso dependendo da forma como pilota ela. Uma coisa te digo, você vai querer acelerar cada vez mais. O fato é que Fat Bob é máquina que devora ruas e estradas e agrada a uma nova geração de motociclistas por ter um design e um motor moderno, sem perder o estilo lendário da Harley-Davidson. É um dos modelos mais representativo da marca americana e chega em versão 2021 com novas cores para compor um visual que transmite ainda mais poder e estilo: a Deadwood Green Denin, a Vivid Balck e a Billiard Red.

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No entanto, o que pode dificultar a aproximação do novo consumidor é o alto preço da máquina, R$ 97.450,00. Mas quem compra uma Harley-Davidson, sabe que não está levando somente um conjunto mecânico, mas uma lenda carregada pela centenária marca. A essência das motocicletas Harley-Davidson é transmitida de geração para geração. E isso não se pode negar.

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