Mulher do morro, negra, talentosa e muito empoderada

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Eventos na Cidadae Maravilhosa clebram a trajetória de Dona Ivone Lara (Foto: Divulgação)

A sambista Dona Ivone Lara ganhou uma merecida homenagem neste sábado (20), Dia da Consciência Negra: uma estátua de bronze no campus Maracanã da Universidade Estácio de Sá. A trajetória da dama do samba, mulher, negra e do morro é marcada por dores e muitas glórias em um universo dominado pelos homens. Um mulher negra emponderada que inspira toda a sociedade e orgulha o Brasil.

Dona Ivone Lara, nascida na década de 1920, é conhecida como a “Grande Dama do Samba” foi a primeira cantora a assinar um samba-enredo e a fazer parte da ala de compositores de uma escola, o Império Serrano.

Se não tivesse morrido em 2018 por conta de um quadro de insuficiência cardiorrespiratória, a lendária sambista Dona Ivone Lara completaria 100 anos em abril de 2022.

Uma roda de samba com vários bambas anima o Campus o Maracanã. O evento é aberto e gratuito e conta com cantoras negras que fazem parte do circuito carioca da atualidade. Outras atividades que celebram a vida dessa guerreira, entre outras, ocorrem por toda a cidade carioca.

O ato, que vai se expandir para várias atividades muisicais deve varar a madrugada, celebra, além do movimento negro, a luta pelos direitos das mulheres e o samba. André Lara, neto da sambista; e Alex Ribeiro, filho do também sambista Roberto Ribeiro, entre outros convidados.

Dona Ivone Lara, nascida na década de 1920, é conhecida como a “Grande Dama do Samba” foi a primeira cantora a assinar um samba-enredo e a fazer parte da ala de compositores de uma escola, o Império Serrano. Sua vida e obra é conhecida e admirada internacionalmente.

Filha de uma costureira, cantora de rancho carnavalesco, e de um mecânico de bicicletas, violonista amador, a pequena Ivone ficou órfã muito cedo. Aos 3 anos, perdeu o pai. Aos 9, a mãe.

Cresceu sob a guarda dos tios no Morro da Serrinha, berço do Império Serrano, em Madureira, mas até os 17 anos estudou sob as regras rígidas num colégio interno.

Numa das vezes em que visitou o morro nas férias, ainda criança, chorosa da falta de uma boneca, ganhou do primo, Fuleiro, um passarinho tiê-sangue que marcaria pra sempre sua vida. O nome, Oialá-oxá, foi dado pela avó, angolana, e o passarinho serviu de inspiração para o primeiro samba que ela compôs na vida, “Tiê-tiê”.

Ao deixar a escola, aos 17 anos, foi morar de vez na casa de seu tio Dionísio Bento da Silva, pai de Fuleiro, que tocava violão de sete cordas e fazia parte de um grupo de chorões que reunia Pixinguinha e Donga, entre outros. Com o tio Dionísio, aprendeu a tocar cavaquinho.

Em 1945, começou a frequentar a Escola de Samba Prazer da Serrinha, uma dissidência do Prazer da Serrinha daria origem ao Império Serrano, em 1947. Ainda de acordo com a história oficial da trajetoria de Ivone, já nessa época, começou a compor sambas, assinados pelo primo Fuleiro, porque não se admitiam mulheres entre os compositores. Mas, segundo o nteo,. ela nunca se confomrou com essa condição preconceituosas do mundo do smaba da época.

Em 1965 resolveu conquistar um lugar dominado pelos homens. Cansada de compor canções que não assinava, por ser mulher, desafiou o preconceito e foi aceita na ala de compositores do Império Serrano. Em 1968, foi aclamada madrinha.

Mas ela queria muito mais. Dona Ivone Lara trabalhava como auxiliar de enfermagem enquanto se formava na faculdade em Serviço Social. Por 36 anos, trabalhou com Nise da Silveira, a psiquiatra que humanizou o tratamento de distúrbios mentais no Brasil.

Chocou a sociedade do ziriguidum e fez história em 1978, quando apareceu na capa do seu primeiro disco solo tocando cavaquinho, cenário feito só por bambas do sexo masculino. Na foto de “Samba, minha verdade, samba, minha raiz”, ela no quintal do portelense Manacéa, em Oswaldo Cruz, endereço de uma das melhores rodas de samba do subúrbio carioca na época.

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Cansada de compor sambas e não poder assinar porque era mulher, Dona Ivone Lara roda a baiana e assume o posto no mundo de homens (Foto: Aquirvo Pessoal)

E para fechar um pouquinho dessa história de glória, um de seus clássicos, “Alguém me avisou”, foi feito na inspiração de duas mulheres que cruzaram seu caminho na infância: Lucília Guimarães, esposa do maestro Heitor Villa-lobos, e Zaíra de Oliveira, grande cantora lírica da década de 1920, casada com Donga, autor do primeiro samba, “Pelo Telefone”.

As duas deram aula de música para ela no internato Orsina da Fonseca, no Rio. E diziam para nunca se intimidar, “pisar no chão devagarinho” e seguir em frente, sem desistir dos sonhos.

Isso sim é uma mulher emponderada.

(Com agências)

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