Não dê chance para o carrapato

0
Foto: Divulgação

Os cães são animais sociáveis que adoram passear ao ar livre e fazer novos amigos. Mas é exatamente nestes ambientes que eles ficam exposts à ação de pulgas e carrapatos. Além do desconforto que causam aos animais, esses ectoparasitas podem transmitir uma série de enfermidades para os animais – entre elas, a doença do carrapato.

O nome conhecido popularmente na verdade faz referência a duas patologias, a erliquiose e a babesiose. Ambas são transmitidas pelo carrapato marrom (Rhipicephalus sanguineus). Como todo carrapato, ele é um hematófago, ou seja, precisa sugar o sangue do hospedeiro para sobreviver. É a partir dessa ação que o parasita  transmite os agentes causadores da doença do carrapato para o cão.

Para auxiliar os tutores na proteção dos cães contra essas enfermidades, a médica veterinária e gerente de produtos da Unidade de Pets da Ceva Saúde Animal, Fernanda Ambrosino, esclarece as principais dúvidas sobre o assunto. Confira:

O que é a doença do carrapato?

A doença do carrapato faz referência às hemoparasitoses que têm como vetor o carrapato e que são causadas por bactérias ou protozoários. A erliquiose e a babesiose são as principais formas de manifestação da doença do carrapato. Apesar de terem a mesma via de transmissão e afetarem as células de defesa do cão, elas agem de forma distinta. São patologias graves e que precisam de tratamento imediato.

Como a erliquiose afeta os cães?

A erliquiose ocorre quando a bactéria Erhlichia canis entra na corrente sanguínea do pet, atingindo as células do seu sistema imunológico. Começam então as três fases da doença: aguda, subclínica e crônica. Na fase aguda as bactérias passam a se multiplicar, podendo atingir  órgãos como fígado, baço, pulmões e rins. Elas também aderem às paredes dos vasos sanguíneos, levando a inflamação e infecção destes tecidos. O cão pode apresentar febre, anorexia, perda de peso e força e diarreia, entre outros sintomas. Já na manifestação subclínica os sinais podem ser menos evidentes, porém é nesse período que ocorre a anemia e diminuição significativa do número de leucócitos e de plaquetas, células que são responsáveis pela defesa do organismo e pela coagulação sanguínea. Estas alterações impactam o sistema imunológico do animal deixando-o debilitado. E na fase crônica os sinais clínicos são os mesmos da fase aguda, com maior ou menor intensidade. Os animais podem sofrer com perda de peso, apatia e apresentar maior facilidade a infecções. Os cães com sistema imune debilitado podem vir a óbito nesse período.

A babesiose também é transmitida por bactérias?

A babesiose é causada pelo protozoário Babesia canis. A transmissão ocorre a partir da saliva dos carrapatos infectados no momento que sugam o sangue dos cães. A doença destroi os glóbulos vermelhos, causando um quadro de anemia severa. O pet costuma apresentar sinais físicos e comportamentais logo após a contaminação, como perda de apetite, palidez, cansaço severo e letargia.

Os sintomas vão depender da apresentação da doença. Entre os mais comuns em ambas as manifestações podemos citar febre, apatia, anorexia e perda de peso.
No caso da babesiose é comum que o cão apresente mucosas amareladas. Já na erliquiose o animal pode ter manchas vermelhas pelo corpo ou até mesmo sangramento nasal causados por distúrbios na coagulação.

Como é feito o diagnóstico?

O diagnóstico é feito pelo médico veterinário, que irá avaliar o histórico do animal, realizar exames físicos e laboratoriais. O hemograma e o PCR são os mais indicados para o diagnóstico diferencial entre a erliquiose e a babesiose.

Qual o tratamento?

O tratamento va depender do agente envolvido na doença. No caso da babesiose, o mais frequente é a utilização de algum fármaco antiparasitário por via intravenosa. Já para erquiliose é feito o uso de antibióticos de via oral, com o tempo de duração dependendo da fase da patologia, mas vale reforçar que mesmo que o animal fique livre dos sintomas nos primeiros dias de administração do medicamento, o tutor deverá seguir o tratamento pelo prazo estipulado pelo veterinário, pois só assim o animal ficará curado.

Como proteger os cães?

A doença do carrapato é grave, afeta a qualidade de vida e o bem-estar dos cães e em casos graves pode levar a óbito. Por isso, é indispensável proteger os pets contra a ação dos carrapatos. O uso periódico de produtos carrapaticidas é a maneira mais segura de prevenir a babesiose e a erliquiose canina. Além disso, os tutores devem ficar atentos à presença de carrapatos no pet ao voltar para casa depois de um passeio, checando principalmente as patas, axilas, orelhas e virilhas.

É preciso investir no controle integrado?

O controle integrado é sempre a melhor estratégia para proteger os cães contra a ação de pulgas e carrapatos. O processo engloba uma série de medidas para o tratamento simultâneo do animal e do ambiente. Dessa forma, é indicado o uso mensal de produtos ectoparasiticidas (ou de acordo com a indicação em bula) e também a aplicação de produtos com princípio ativo adequado para controlar e/ou prevenir a presença desses parasitas no ambiente.

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor,deixe seu comentário
Por favor, informe seu nome aqui