Aumenta número de mortes por Covid em pessoas abaixo dos 60

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(Foto: Agência Brasil)

Após uma segunda onda da Covid-19, com circulação de novas cepas do Coronavírus, os números oficiais da pandemia em Campinas comprovam um aumento significativo de mortes entre pessoas com idades abaixo dos 60 anos este ano. Segundo dados do Painel Covid da Prefeitura, de janeiro a maio, os adultos jovens e de meia idade representaram 37% das vítimas fatais causadas pela doença, enquanto em 2020 esse índice ficou em 22%.

O índice reforça os alertas quanto aos riscos de transmissão em festas clandestinas e reuniões familiares com aglomeração. Segundo o Departamento de Vigilância em Saúde (Devisa) da Prefeitura, o monitoramento feito em relação aos novos casos confirma que esses eventos são hoje os principais focos de transmissão na cidade e que uma diminuição de internações só ocorreu após uma concentração de ações de fiscalização, com ajuda das forças de segurança, para coibir eventos no período noturno.

Em relação às mortes, a diretora do Devisa, Andrea von Zuben, confirmou em entrevista esta semana ao RadarC que também já há um reflexo grande da vacinação contra a Covid na redução de óbitos no público idoso. “Temos registrado menos mortes acima de 65 anos, e principalmente acima dos 70 anos, em que a cobertura da imunização já é praticamente de 100%. Então há um efeito da vacina na redução de internação e mortes”, disse.

Conforme Andrea, um indicador que reflete a maior internação de jovens neste momento na rede hospitalar é o tempo médio de ocupação de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) por um paciente, considerado alto, de 19 dias. “São pessoas com maior tempo de sobrevida nos casos graves. Mas é uma doença sem tratamento para quem não foi vacinado, então depende muito de cada indivíduo a reação contra a infecção do vírus. Cito o caso do ator Paulo Gustavo, que teve todos os recursos de tratamento, mas mesmo assim seu organismo não resistiu”, ressaltou.

Outro fenômeno que contribuiu para o aumento de casos graves entre jovens em Campinas foi a circulação de uma nova cepa do Coronavírus, a P1, chamada Cepa de Manaus, mais agressiva e maior potencial de contaminação em diferentes faixas etárias. A presença da P1 em Campinas foi comprovada por análises de exames feitas pela Unicamp, e divulgadas no final de março, com resultado positivo para a variante em quatro pacientes.

Números

No geral de 2021, foram 476 mortes pela doença em Campinas de pessoas até 59 anos de idade – e 1.292 de vítimas idosas. Nas diferentes faixas etárias desse público mais jovem, os casos se dividem entre 50 e 59 anos (265); de 40 a 49 anos (137); de 30 a 39 anos (57); de 20 a 29 anos (nove); e três casos de vítimas abaixo de 19 anos.

No ano passado, quando surgiu a pandemia, foram confirmadas 286 mortes de pessoas não idosas pela Covid entre março e dezembro, e 1.303 de maiores de 60 anos. Se considerarmos todo o período de pandemia, as mortes do público até 59 anos representam 30% do total na cidade.

Este ano também registrou em março o mês mais letal de toda a pandemia, durante a chamada segunda onda e quando 629 campineiros morreram vítimas do Novo Coronavírus. Esse número corresponde a 19% de todos os óbitos registrados desde março de 2020 na cidade.

Riscos

A atual preocupação da Prefeitura é que, com o feriadão de Corpus Christi, voltem a aumentar casos de aglomeração, inclusive sob o risco de chegada à cidade de uma cepa indiana já resgistrada no Pará e no Rio de Janeiro – combinação ideal para o surgimento de uma terceira onda de Covid, com risco principalmente ao público não vacinado.

Desde esta quarta-feira (2), cidades da Região Metropolitana de Campinas (RMC) estão promovendo, em comum acordo, barreiras sanitárias em seus acessos para orientar motoristas sobre os riscos de contaminação e inibir a entrada de pessoas de outros municípios. As prefeituras também reforçarão as fiscalizações do Toque de Recolher noturno, visando flagrar e impedir eventos com aglomerações.

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