Para os idosos, toda casa pode ser cheia de armadilhas

0
(Foto: Divulgação)

O ambiente doméstico deveria ser, por princípio, um lugar seguro. Mas, para os idosos, pode ser um verdadeiro campo minado: móveis demais, tapetes soltos, objetos de decoração como vasos e abajures, brinquedos espalhados pelo chão – tudo isso oferece grandes riscos à terceira idade. A Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia indica que um terço da população acima dos 65 anos sofre, pelo menos, uma queda por ano dentro de casa – proporção que cresce com a chegada do Inverno. E a pandemia, claro, também não ajudou – esse tipo de acidente aumentou cerca de 30% por causa do confinamento provocado por ela.

“Neste período do ano, os riscos de queda de pessoas na terceira idade aumentam devido às noites serem mais longas e ao uso de agasalhos, o que faz com que os idosos urinem mais. Isso aumenta a possibilidade de acordarem sozinhos e irem ao banheiro, justamente o local de maior ocorrência de acidentes graves por conta da umidade que torna o ambiente escorregadio. Diminuição da visão, da audição, do reflexo do corpo, da flexibilidade e da firmeza muscular também são fatores que facilitam os acidentes”, explica o coordenador de ortopedia do Vera Cruz Hospital, José Luis Amim Zabeu.

Por isso, muitos órgãos e instituições alertam para a necessidade de se adaptar as residências conforme algum de seus moradores envelhece para diminuir os riscos.

O ortopedista do Vera Cruz alerta que é fundamental, principalmente neste momento de isolamento social, que o ambiente doméstico seja totalmente seguro. “Adaptar a casa para as limitações dos idosos ou mesmo evitar o uso de objetos que possam representar riscos ajuda a reduzir as chances de acidentes domésticos. Por exemplo, evitar deixar móveis fora do lugar habitual e garantir uma área de passagem livre de obstáculos”, diz.

De todos os cômodos, o banheiro é o grande vilão dos idosos, e precisa receber uma atenção extra: tapete antiderrapante na área de banho, barras de apoio nas paredes próximas ao sanitário e ao chuveiro e até o uso de cadeira de banho para ajudar quem tem o equilíbrio mais comprometido. “Luzes acesas também são essenciais. Mas, se nada disso funcionar, sugerimos inserir o uso de penicos ou de fraldas, após uma boa conversa om o idoso. Tudo depende da situação de saúde dele. Todos os acidentes são evitáveis, desde que o ambiente seja seguro”, explica Zabeu.

Além disso, os cuidadores e familiares devem ficar alertas para o tipo de acidente ocorrido, já que ele pode indicar alguma doença além da simples queda. “É preciso sempre estar atento se a queda está relacionada a alguma patologia, como labirintite, osteoporose, artrose, doenças cardíacas, pulmonares e neurológicas, entre outras. Por isso ressalto a importância dos cuidados médicos mesmo na pandemia, principalmente para doenças crônicas”, afirma.

“Sou saudável e por enquanto ainda não tirei os tapetes e nem reduzi o número de móveis, mas conheço muita gente que já se machucou feio em casa. O importante é ter muito cuidado nas tarefas diárias”, afirma Néria Cecília da Costa, de 78 anos. Ela mesma teve um caso grave na família – um parente caiu no banheiro e acabou seus dias em uma cadeira de rodas.

Ainda de acordo com os especialistas, punhos, quadril e ombros são os membros mais afetados nessas quedas, seguidos pela coluna. “Nas fraturas do punho, quadril e ombro, frequentemente é necessária uma cirurgia”, explica Zabeu, que lembra que os riscos para os idosos é sempre maior após esses acidentes. “Estatisticamente, 25% dos idosos que sofrem uma fratura no quadril falecem em até um ano por vários motivos: complicações da cirurgia, novas quedas ou piora de outras doenças preexistentes”, destaca o médico.

Eliminados os riscos da casa, a outra recomendação dos especialistas é garantir um mínimo de exercícios aos idosos. “Programe um horário para fazer caminhadas leves. O corpo não foi feito para ficar parado. E um idoso pode perder até 3% de força e massa muscular a cada semana”, afirma.

Dicas para uma casa segura

  • Sala de estar
  • – Não deixe móveis fora do lugar habitual
  • – Garanta uma área de passagem livre, sem mesas de centro, plantas ou outros objetos que possam representar obstáculos
  • – Mantenha fios elétricos e extensões bem afixadas, evitando que fiquem soltos pelo caminho
  • – Prefira cadeiras e poltronas com apoio de braço
  • Banheiro
  • – Utilize um tapete antiderrapante na área de banho
  • – Instale barras de apoio nas paredes próximas ao sanitário e ao chuveiro
  • – Considere utilizar um assento removível para adequar a altura do vaso sanitário
  • – Opte por um box resistente e de material inquebrável
  • – Uma adeira de banho pode ser utilizada por quem tem equilíbrio mais comprometido
  • Quarto
  • – Deixe um abajur ou um interruptor ao lado da cama
  • – Utilize uma cama de altura confortável para subir e descer sem dificuldades
  • – Mantenha armários e gavetas em alturas acessíveis e fáceis de abrir
  • – Utilize um colchão de densidade adequada
  • Cozinha
  • – Ajuste as bancadas para uma altura de uso confortável
  • – Evite estocar alimentos ou louças em locais de difícil acesso
  • – Limpe imediatamente qualquer líquido que tenha sido derrubado no chão
  • – Mantenha os utensílios mais utilizados no dia a dia guardados em locais mais acessíveis
  • – Ao cozinhar, evite o uso de panelas pesadas, que podem cair e provocar queimaduras
  • – Não deixe a cozinha sem se certificar de que as chamas do fogão estão apagadas

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor,deixe seu comentário
Por favor, informe seu nome aqui