PF assume investigações sobre incêndio na Cinemateca

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Foto: Carla Carniel/Agência Brasil

A PF (Polícia Federal) assumiu nesta sexta-feira (30) as investigações sobre as causas do incêndio que atingiu na última quinta-feira (29) um galpão da Cinemateca Brasileira, na Vila Leopoldina, em São Paulo. No local estavam guardadas cerca de 4 toneladas de documentos sobre a história do cinema brasileiro, incluindo parte do acervo de Glauber Rocha, além de cópias e originais de filmes de ficção, documentários, cinejornais e publicidade e equipamentos antigos com potencial museológico.

A gestão da Cinemateca é de responsabilidade da Secretaria Especial de Cultura, do Governo Federal. Em nota, a pasta afirmou que “lamenta profundamente” o ocorrido e que havia pedido à PF que assumisse o caso. O órgão deve iniciar uma perícia criminal do prédio, que teve 25% da estrutura afetada, com desabamento do teto. Ninguém ficou ferido.

No último dia 20, o Ministério Público Federal (MPF) alertou o Governo Federal sobre o risco de incêndio no galpão da Vila Leopoldina quanto na sede da Cinemateca, na Vila Clementino. O alerta foi feito em audiência pública que reuniu representantes do MPF, da União e do setor audiovisual, e que integra ação do MPF contra a União por abandono da Cinemateca. Em audiência anterior, realizada em maio, o governo havia recebido um prazo de 45 dias para reforçar as ações de preservação do patrimônio. Após um acordo, a Secretaria Especial de Cultura ganhou mais 60 dias para tomar providências em relação à proteção do espaço.

Segundo o Corpo de Bombeiros, as chamas tiveram origem em uma faísca gerada durante os trabalhos de manutenção do ar condicionado de uma sala no primeiro andar do prédio. O incêndio acabou atingindo também uma sala ao lado, que guarda o acervo histórico de filmes da entidade, e um terceiro espaço, com arquivos impressos.

Em nota, a Secretaria Especial da Cultura afirmou que a manutenção do ar condicionado é parte “do esforço do governo federal para manter o acervo da instituição” e que “o governo federal, por meio da Secretaria, reafirma o seu compromisso com o espaço e com a manutenção de sua história”. Nesta sexta-feira (30), a secretaria publicou um edital para a contratação de uma entidade gestora para a cinemateca, e o secretário especial de Cultura, Mário Frias, declarou, em postagem no Twitter, que o estado em que o atual governo assumiu a cinemateca era herança “do governo apocalíptico do petismo”.

Em 31 de dezembro de 2019 encerrou-se o contrato para a gestão da Cinemateca firmado entre o Governo Federal e a OS (Organização Social) Associação Comunicativa Roquette Pinto (Acerp). Desde então, no entanto, o espaço continuou a ser mantido de forma improvisada pela OS, que permaneceu no local mesmo sem receber recursos nem salários.

A precariedade das condições da Cinemateca motivou uma série de protestos no ano passado. Funcionários e entidades ligadas ao audiovisual alertavam que a entidade, fundada em 1946, passava pela maior crise de sua história, com atraso em pagamentos de salários e em contas de água e luz. Contratos com brigadas de incêndio e equipes de segurança também haviam terminado.

(Das agências)

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