‘Sala de Espera’ reflete sobre o fazer artístico na pandemia

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Cena de "Sala de Espera", produção da companhia Cênica que estreia nesta terça-feira (12) no Zoom (Reprodução/Facebook)

Experimento que une as linguagens do teatro e do audiovisual, “Sala de Espera”, da companhia Cênica, faz temporada de estreia desta terça-feira a domingo (12 a 17), ao vivo e on-line, com sessões às 21h, na plataforma Zoom. A transmissão acontece diretamente do espaço da companhia, em São José do Rio Preto (SP). Os ingressos são gratuitos e devem ser reservados pelo Sympla (www.sympla.com.br/cenica). Após as sessões, a equipe artística conversa com o público sobre a montagem.

Sob direção de Fabiano Amigucci e Fagner Rodrigues, a produção é a primeira para o ambiente virtual do grupo, que lança mão da metalinguagem e da autoficção. Nela, o público acompanha quatro atrizes que, depois de 18 meses de encontros mediados pelas telas, e com os teatros ainda fechados, aguardam para entrar em cena. Na espera, mergulham em seus processos criativos, em suas memórias, urgências, dilemas e enfrentam um embate com o tempo, as ausências, as novas formas de presença e com os (in)cômodos de uma casa que agora também lhes serve de palco.

A metalinguagem presente no trabalho propõe um diálogo com o absurdo do universo do irlandês Samuel Beckett (1906-1989), trazendo à pesquisa e à cena a peça “Esperando Godot”, com suas incontáveis possibilidades de representação da espera. As atrizes-criadoras são Andrea Capelli, Beta Cunha, Márcia Morelli e Suria Amanda. O elenco conta ainda com participação especial de Ivete Morelli. 

“Sala de Espera” é uma criação coletiva que partiu de reflexões de integrantes da companhia relacionadas à arte, especialmente ao fazer teatral, e à vida no contexto da pandemia da Covid-19, de isolamento social e desarticulação no enfrentamento e prevenção à doença no País. Relatos trazidos pelas atrizes serviram de base para a construção da dramaturgia, dividida entre os solos “Tentativas”, “Processo”, “Vida” e “Ofício”.

A narrativa é ambientada entre quatro cômodos de uma casa – quarto, cozinha, sala e banheiro – e a transmissão ao vivo acontece integralmente em plano-sequência, com a câmera acompanhando cada atuante sob perspectivas distintas, estética que propõe à plateia uma experiência imersiva.

O projeto nasceu em abril de 2020, momento no qual a Cênica, como tantos outros grupos e artistas, teve suas apresentações canceladas. O processo de criação levou 18 meses e a maior parte dos encontros se deu de forma remota. Segundo os diretores, em meio a todo o desolamento que o momento impôs, e ainda impõe, entre perdas humanas, políticas e sociais, foi proposto às pessoas integrantes da companhia o início de uma pesquisa artística experimental a partir de ferramentas virtuais de comunicação, com o desejo de manterem-se vivos e vivas artisticamente e resistindo.

Sobre o processo, a atriz Beta Cunha afirma: “Foi um grande desafio, enquanto mulher, artista, enquanto parte desse coletivo que é a Cênica, produzir em meio a uma pandemia de forma remota, de forma individualizada na construção, porém, sempre compartilhada, nos ensaios, foi e tem sido um grande aprendizado, dos últimos tempos talvez o maior, em meio a toda essa situação na qual nos encontramos. É possível afirmar que a arte cura, que a arte mantém a sanidade”.

Capelli pontua: “O Sala de Espera para mim é uma paixão, com todos os ingredientes que uma paixão possui, a possibilidade de estar viva, do encontro, enquanto tudo era medo e isolamento”.

Para Morelli, estar no projeto “foi como receber um colete salva-vidas” – “tempo de pandemia trouxe tristeza, medo e incerteza e eu, com 12 anos de grupo, estava acostumada a conviver com essa ‘segunda família’, e ficamos com os trabalhos paralisados, ficamos apartados, e Sala de Espera possibilitou estarmos juntes, ainda que de modo virtual”. Já Amanda assinala, sobre o trabalho: “Daquelas coisas que mexem e transformam a gente dos pés até a cabeça. É uma constante sensação de inesperado”.

À criação somam-se ainda os diretores, além de Homero Ferreira e Ana Magalhães, artistas convidados. Léo Bauab assina a direção de arte e a cenografia; Amigucci, figurinos e adereços; e Luis Fernando Lopes, iluminação. O projeto é viabilizado pelo Edital Proac Expresso Lei Aldir Blanc nº 36/2020, “Produção e temporada de espetáculo de teatro com apresentação online”.

SERVIÇO

Sala de Espera

De terça-feira (12) a domingo (17), 21h

Na plataforma Zoom

Grátis, com reserva de ingressos pelo Sympla, no link www.sympla.com.br/cenica

Classificação: 16 anos

Mais informações: http://ciacenica.com.br/sit/; @ciacenica no Instagram e @cia.cenica no Facebook

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