Saúde: 15% dos remédios oferecidos seguem em falta no SUS municipal

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Foto: Jarmoluk/Pixabay

O Conselho Municipal de Saúde (CMS) de Campinas divulgou nesta semana um boletim que indica o estoque zerado de 15% de medicamentos oferecidos à população nos serviços de saúde da Prefeitura, particularmente nos de atenção primária, ambulatórios de especialidades, centros de referência e serviços de saúde mental. Segundo o Órgão, que acompanha e fiscaliza os serviços do Sistema Único de Saúde (SUS) no Município, esse é um dos problemas crônicos enfrentados pelos usuários na cidade.

O secretário de Saúde, Lair Zambon, reconhece o problema, que atribui aos efeitos da demanda da pandemia de Covid-19 sobre governos e empresas. Ele considera que a situação começa a se normalizar e que será possível repor esse déficit em 40 dias (leia mais abaixo).

O boletim do CMS, com dados repassados pelos serviços da Secretaria e referentes a este mês de julho, informa que dos 278 medicamentos fornecidos pela rede, 73 (26%) estão em falta ou com estoque abaixo de 100 itens (limitados) nas unidades municipais de saúde. São 41 itens zerados (15%) e 32 itens com estoque limitado (11%).

“O problema afeta mais a população mais pobre, pois o preço da maioria dos medicamentos em falta é alto, fazendo com que justamente estas pessoas mais vulneráveis deixem de usá-los, agravando suas doenças. Como consequência, doenças facilmente controláveis em serviços de atenção primária podem trazer complicações, levando a mais internações e ou mortes evitáveis e mais gastos para o SUS local”, diz o texto divulgado pelo Conselho.

O Órgão também ressalta que comparando com junho, quando havia 47 medicamentos zerados, houve discreta melhora, “contudo longe de solucionar o probema”. “São remédios usados, por exemplo, para o cuidado com a pressão alta, diabetes, doenças mentais várias, dores crônicas, asma, entre outras”, aponta. O CMS cobra “planejamento estratégico” para as compras, diz que esse problema ocorre há anos e que as explicações se repetem: como demora nas entregas e licitações fracassadas.

A presidente do Conselho, Nayara Oliveira, informou que o acesso aos dados do almoxarifado da Saúde é garantido por uma ação movida no Ministério Público. Diz ainda que o boletim é divulgado aos usuários da rede municipal nas redes sociais e distribuído entre conselheiros e a contatos em diferentes movimentos, para que eles possam ajudar a cobrar e monitorar suas unidades de saúde. “O processo de cobrança é permanente. Como a falta de medicamentos é crônica, a cobrança também é crônica”.

O que diz a Saúde

O secretário de Saúde, Lair Zambon, remete os problemas com medicação diretamente aos efeitos da pandemia – que centralizou demandas, dificultando fornecimento de remédios pelo governo federal; reduziu participação de empresas em licitações e levou à dificuldade de entregas de remédios por prestadores de serviços e também pelo governo federal.
“Foi uma guerra. Mas tenho a impressão que nesses próximos 30, 40 dias vamos conseguir regularizar as licitações e entregas”, afirmou.

Zambon também disse que da parte da Prefeitura, não houve falta de recursos destinados a esses itens. “Da parte financeira não tivemos nenhuma redução. A orientação clara do prefeito Dário Saadi é fazer o que tem de ser feito. Mas a pandemia, por definição, significa caos. E quanto mais se ameniza essa situação, o que começa a ocorrer, mais voltamos à normalidade.”

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