Time grande pode jogar para não perder?

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Foto: César Greco/Palmeiras

Carlo Carcani Filho

Um time que conta com um dos elencos mais completos do País, uma folha salarial altíssima e jogadores de nível internacional pode jogar na retranca, como se tivesse pouca qualidade técnica?

Quem assistiu ao primeiro jogo da semifinal da Libertadores, entre Palmeiras e Atlético Mineiro, já percebeu que escrevo sobre a estratégia adotada por Abel Ferreira. Mesmo em casa, o técnico português deliberadamente “jogou para não perder”. Sua preocupação, do primeiro ao último minuto, foi não permitir que o Galo marcasse um gol como visitante.

Um time forte como o Palmeiras pode jogar assim? É aceitável que, gastando tanto, mostre um futebol tão cauteloso?

A resposta para todas as perguntas acima é sim, mas essa decisão tem um preço. Abel considera o Atlético um adversário muito forte e adotou a estratégia de segurar o 0 a 0 em casa (e o fez sem nenhum pudor) para tentar, em Minas Gerais, achar um gol que deixaria o Atlético com a obrigação de marcar ao menos outros três.

Até aí tudo bem. Se o Palmeiras voltar de Belo Horizonte como finalista da Libertadores, poucos vão se lembrar da postura medrosa e, importante destacar, eficiente da primeira partida. Já vimos outros times “pragmáticos” conquistando títulos importantes. O Corinthians de Tite e o de Fábio Carille são ótimos exemplos.

O problema é que a torcida de qualquer time grande aceita uma eliminação quando percebe que os jogadores buscaram o objetivo e fizeram de tudo para vencer. A forma como o fracasso é digerido muda, porém, quando a derrota é atribuída à falta de coragem de ao menos tentar derrubar o rival, ainda que se trate de um time forte como o Galo.   

O Palmeiras é o atual campeão da Libertadores e é difícil justificar uma atuação como a de terça-feira, com a única preocupação de se defender. A impressão que ficou é que o Atlético de Cuca vencerá o segundo jogo com facilidade, passando por cima do Verdão. Se for assim, Abel será cobrado por sua postura incompatível com a força de seu elenco e por escolhas e substituições incompreensíveis em diversos setores da equipe.

Apesar das conquistas de 2020, há meses o trabalho de Abel Ferreira vem sendo questionado. Se for eliminado sem demonstrar ao menos que desejou vencer, dificilmente terá clima para permanecer no clube em 2022. É o preço que se paga por adotar, em um time grande, a estratégia que combina apenas com quem não tem qualidade para enfrentar um adversário muito mais forte. 

Correção
Ao contrário do que foi publicado na edição anterior, a Ponte Preta venceu um Dérbi em 2021. O primeiro confronto do ano, válido pela Série B de 2020, terminou com o placar de 1 a 1, no Brinco de Ouro. No Paulistão, a Ponte ganhou em casa por 3 a 1 e na Série B o Guarani se saiu melhor: vitória por 1 a 0 em seu estádio e empate sem gols no Moisés Lucarelli.

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