Um coração maior que a maior das montanhas

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“Sonho grande pra mim não era chegar ao topo da montanha. Sonho grande pra mim é começar a desenvolver ações socioambientais para um futuro exemplar e sustentável, criando oportunidades principalmente para as pessoas da periferia”.

A montanhista Aretha Duarte, primeira mulher negra latino-americana a vencer os 8.848 metros na vertical e superar os 15.197 quilômetros de um trajeto em uma linha horizontal para chegar ao cume do Everest, mostra muito do seu caráter ao usar sua conquista como uma escada para mudar a realidade de comunidades carentes.

Aos 37 anos, Aretha é a sexta brasileira a vencer o desafio de escalar do Everest – um sonho que começou na periferia de Campinas, usando a reciclagem para levantar fundos para a expedição.

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Até 2020, apenas 25 montanhistas do Brasil haviam conseguido chegar ao topo da montanha mais alta do mundo. Até 2021, só cinco eram mulheres – e nenhuma era negra.

A campineira chegou ao cume na manhã do dia 23 de maio, exatamente às 10h24 pelo horário do Nepal (1h39 da madrugada de domingo no Brasil). Depois, de volta ao campo base, precisou esperar por quatro dias até o tempo melhorar para seguir para Kathmandu, onde chegou no último dia 29.

Nascida na periferia de Campinas, Aretha se formou em Educação Física pela PUC-Campinas e conheceu o montanhismo ainda na faculdade, aos 20 anos, quando um professor levou os alunos até a Grade6, operadora especializada nesta modalidade.

Dali em diante, ela não parou mais. Sua experiência acumulada em mais de uma década no esporte já a levou a enfrentar montanhas em sete países. Aretha já escalou cinco vezes o Aconcágua, na Argentina – o ponto mais alto do planeta fora do Himalaia – e o Monte Kilimanjaro, a maior montanha da África. A lista inclui ainda o Elbrus (Rússia), Monte Roraima (Venezuela), Pequeno Alpamayo (Bolívia) e Vulcões (Equador), entre outros.

Um caminho natural para quem quer arriscar chegar ao topo do mundo – ninguém conquista o Everest sem antes ter aprendido a dominar todas as técnicas de escalada. E lá no ar rarefeito do topo do mundo, Aretha ainda encontrou fôlego para se mostrar grata pela conquista.

Aretha é um exemplo dos que buscam não só uma realização pessoal ou o reconhecimento da sociedade – mas que usam suas conquistas para alterar realidades, indo muito além dos discursos em defesa desta ou daquela bandeira, seja a do feminismo, seja a de minorias. Para ela, a única coisa que conta são as ações concretas.

Força coletiva

Para viabilizar o projeto Everest, orçado em quase R$ 400 mil, Aretha foi trabalhar com reciclagem, uma volta à atividade que exercia na infância e adolescência.

Sua empolgação contaminou a família – e de tal forma que, no final, quase 40% do valor da expedição para o Everest veio da coleta seletiva. Nesse processo, iniciado em março de 2020, ela se firmou como ativista ambiental e empreendedora social – e mais ainda, mostrou ter um coração tão grande quanto a própria montanha.

Aretha já juntou mais de 130 toneladas de resíduos destinados à reciclagem, reuniu cerca de 600 brinquedos usados que foram higienizados e distribuídos no Natal do ano passado e recuperou cerca de 1.200 livros que hoje estão numa biblioteca comunitária. Definitivamente, ela não é do tipo que só fica no discurso.

A expedição conseguiu patrocinadores como a Moove Brasil, Monte Bravo Investimentos, Agência 2defy, Brasil Spot, Horas a Fio Pelo Mundo, Dardak Jeans e North Face. 

Aretha conta ainda com diversos apoiadores, como Farmácia Saint Germain, Moda Pense Verde, Popais Nack, 365 Palestras, Grade 6 Expedições, Eg Idiomas Campinas, Soma Ação, Marmitas Doze, Jacky Lopes Personal, Renato Fioravante, Studio de Pilates Dani Sarmento, Amalia Novaes Nutri e Thiago Lacerda.

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Site: www.arethanoeverest.com.br
Comercial, marketing, parceria e publicidade – 2defy (www.2defy.rocks – @here2defy)
Bernardo Canto – bernardo.canto@2defy.rocks

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