Um jovem desconfiado, deprimido e preocupado

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Foto: Reprodução

O que pensa atualmente o jovem brasileiro sobre política, religião, família e outros temas? Quais são seus maiores medos e preocupações?

É o que busca responder a “Pesquisa Juventudes no Brasil”, da Fundação SM, por meio do Observatório da Juventude na Ibero-América (OJI), em parceria com pesquisadores da Universidade Federal Fluminense (UFF), da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UniRio) e da Universidade do Estado do Rio (UERJ).

Coordenada pelo OJI, a pesquisa foi realizada em nove países ibero-americanos – Brasil, Argentina, Chile, Colômbia, Equador, Espanha, México, Peru e República Dominicana.

Perfil do jovem brasileiro

No Brasil, foram entrevistados pessoalmente 1.740 jovens, entre 15 e 29 anos, em todas as Regiões do Brasil. Entre os resultados, destacam-se o grau de importância dado à família, à saúde e à educação – e o desprestígio da política.

De acordo com a pesquisa, 60% dos jovens não consideram as discussões políticas algo importante no dia-a-dia. Também no campo político estão os maiores índices de desconfiança nas instituições: 82% dos jovens ouvidos não confiam nos partidos, no Congresso Nacional (80%), no governo (69%) e Presidência da República (63%).

Felicidade e lealdade

O estudo mostra que a característica que mais identifica os jovens é a de serem “preocupados demais com sua imagem” (44%), seguida por “rebeldia” (42%). Valores como solidariedade, tolerância e generosidade estão em baixa entre os entrevistados, e quase um terço deles afirma viver focado unicamente no presente.

A tristeza, depressão e ansiedade também marcam o perfil dos entrevistados: apenas um em cada quatro (25%) acha que “ser alegre ou feliz” caracteriza a juventude. E apenas 19% se consideram “leais às amizades”. A pesquisa também traçou o perfil da escolaridade dos jovens. Mais da metade dos entrevistados estão cursando o Ensino Médio, e 12,8% o Superior ou a pós-graduação. E 34,4% estão no Ensino Fundamental.

Conectados

A pesquisa apontou que 96% dos jovens brasileiros entrevistados utilizam a internet para fins variados, como o uso de mídias sociais, aplicativos de músicas ou vídeos, troca de mensagens e buscas de informação. O celular é o equipamento mais utilizado para a conexão com a internet (94%), seguido de computadores (4%). TV e tablet alcançam, cada um, 1% dos usuários.

Religiosidade

No conjunto dos entrevistados que se consideram religiosos, há mais mulheres do que homens. Dos 68,33% que responderam ter religião, 36,86% são mulheres e 31,47% são homens.

Já entre os 30,67% que não se consideram religiosos, os homens são 16,28% e 14,29% mulheres.

Os católicos só são maioria entre os jovens mais velhos – em todas as outras idades, predominam os evangélicos.

Medos

A segurança (ou a falta dela) também foi abordada pelo estudo. Praticamente a metade (49%) dos entrevistados disseram sentir “quase o tempo todo” medo de ser assaltado no transporte ou no caminho para casa ou trabalho.

Os outros medos destacados pelos jovens foram: destruição do meio ambiente (47%), não ter trabalho no futuro (40%), ser atingido por uma bala perdida (37%), ficar endividado (34%), sofrer violência sexual (29%) e perder o emprego (23%).

O que mais os incomoda

A corrupção aparece como o maior incômodo para 62% dos entrevistados. O quesito “racismo, machismo e outras formas de opressão” ficou em segundo lugar, com 57%; já “a desigualdade entre ricos e pobres” e “acesso e qualidade da saúde” receberam, cada, 54% das menções.

Elaborada no segundo semestre de 2019, a pesquisa retrata o momento que antecede o início da pandemia, e pode ser considerada um marco na transição dos jovens brasileiros, trazendo à tona dados que já eram preocupantes e que foram intensificados com as restrições – como o fechamento das escolas, a falta de acessibilidade para acompanhar atividades remotas, o aumento do desemprego e os impactos na saúde mental.

Os autores e autoras da pesquisa são especializados em investigações sobre a juventude. O trabalho foi concebido para servir como material de apoio e inspiração para instituições, educadores e todas as pessoas que atuam com processos educacionais e com o desenvolvimento integral dos jovens brasileiros.

Os perfi dos jovens pesquisados é o seguinte: 51,5% do sexo feminino e 48,5% do sexo masculino; 40% brancos, 39% pardos, 17% pretos, 2% amarelos, 1% indígena e 1% não respondeu; 78,4% disseram ser solteiros, 20,4% se declararam casados (formalmente ou não) e 1,2% afirmaram ser separados ou viúvos; 67,5% declaram não ter filhos e, dos 32,5% que têm, um terço (10,9%) são mães ou pais sem parceiros.

A Pesquisa pode ser consultada na íntegra em
https://oji.fundacion-sm.org/pesquisa-juventudes-no-brasil-2021/?lang=pt-br

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