Unicef alerta para necessidade urgente da volta às aulas presenciais no Brasil

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(Foto: Divulgação/Unicef)

Um levantamento realizado pelo instituto Inteligência em Pesquisa e Consultoria (Ipec) para o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) mostra que apenas dois em cada dez estudantes brasileiros estão frequentando atividades escolares presenciais.

A pesquisa aponta ainda que 40% dos filhos da classe A podem ter acesso a aulas presenciais, enquanto nas classes D e E, eles são somente 16%. Nas redes estadual e municipal de Campinas, assim como na Unicamp, o ensino presencial será retomado gradativamente em agosto, mas com previsão de atividades plenas apenas em 2022.

Os dados integram o manifesto “Reabertura segura das escolas é urgente para garantir direitos das crianças e adolescentes”, divulgado nesta semana e assinado pela Unicef, Unesco e Opas/Oms. Eles pontam ainda que mesmo com os esforços dos educadores, em novembro de 2020, mais de 5 milhões de crianças e adolescentes não tiveram acesso à educação – número equivalente ao cenário que o País tinha no início dos anos 2000.

“A pandemia aprofundou o fosso das nossas desigualdades, e na educação o impacto é ainda maior. Chegamos a julho de 2021, o fim de mais um semestre escolar. Os números da pandemia seguem preocupantes, mas existem indícios de melhora. Em muitos lugares, as atividades comerciais e de lazer foram há muito tempo retomadas. Contudo, a maioria das escolas continua fechada”, alerta o documento.

O Brasil, de acordo com a Unicef, é um dos países com o maior período de escolas fechadas em todo o mundo. A média global é de 5,5 meses (22 semanas). Na maior parte dos países da América Latina, a média fica acima de 41 semanas. Mas no Brasil, atinge 53 semanas.

O governador de São Paulo, João Doria (PSDB), anunciou em junho um plano para a volta às aulas presenciais a partir de 2 de agosto com 100% dos estudantes. Segundo Doria, cada escola vai poder definir o percentual de estudantes que frequentará as aulas, de acordo com a capacidade da unidade de seguir os protocolos de controle da pandemia, sobretudo o distanciamento social de 1 metro.

Apesar disso, ao menos em agosto, as atividades ainda seguirão sendo opcionais – ou seja, as famílias que não se sentirem seguras poderão manter os filhos em aulas remotas.

Segundo o secretário estadual da Educação, Rossieli Soares, o plano de volta às aulas em São Paulo será elaborado por unidade escolar, de acordo com a estrutura da escola e o número estudantes matriculados.

“Por exemplo, se uma escola com capacidade para 3 mil alunos tem apenas 300 estudantes, ela pode receber 100% desses estudantes, mantendo 1 metro de distanciamento. Se isso não for possível, ela vai manter o rodízio. E, durante o mês agosto, ainda não será obrigatória a volta às aulas presenciais”, afirmou.

Unicamp

“O futuro da Educação não será o normal do passado antes da pandemia. Claro que o ensino presencial é a preferência de toda a comunidade, mas o uso das tecnologias passa a ser uma realidade a que todos os gestores tem de dar uma atenção especial para garantir a qualidade da Educação. O formato híbrido, remoto e presencial, deverá ser adotado’, acredita o reitor da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), Antonio José de Almeida Meirelles, o Tom Zé, ao falar sobre os desafios dos gestores da área para o futuro.

A Unicamp prevê, para o segundo semestre, uma retomada gradual das atividades presenciais nos campi acompanhando o ritmo da vacinação de alunos e servidores, segundo informou o reitor. O plano definido projeta o retorno dos estudantes depois de 14 dias da imunização completa. O reitor espera a volta plena para o início de 2022.

Para ele, o grande desafio é equacionar as aulas teóricas presenciais. “Nossas salas físicas têm capacidade máxima de 90 pessoas e contêm em média com 70 alunos. Outra fato é que 60% dos nossos alunos são de outras regiões do País, o que entra na questão da moradia. Portanto, as atividades presenciais plenas só devem voltar em 2020, mas aulas práticas, laboratórios e, principalmente, a área da assistência social da instituição, que engloba a Saúde, estão operando, seguindo todas as recomendações sanitárias”, afirmou o reitor.

Para o segundo semestre, as atividades presenciais com 60% da capacidade das salas recomeçarão da forma que encerraram no primeiro semestre, com atividade presencial apenas nos cursos da área de assistência pessoal, como enfermagem e medicina, no Hospital de Clínicas e em pesquisas laboratoriais da pós-graduação.

Para aulas teóricas e práticas de graduação e pós, que seguem remotas, Tom Zé explicou que, mesmo com o critério básico da imunização da comunidade acadêmica, as regras de capacidade das salas em 60%, distanciamento de 1,5 metro e uso obrigatório de máscara serão mantidas.

A Unicamp foi a primeira intuição estadual a suspender suas atividades por causa da pandemia. Quase um ano e meio depois, o reitor avalia a decisão como acertada, mas faz restrições. ” Acho que a medida foi adequada para o enfrentamento da situação, mas teria sido mais acertada se o debate tivesse ocorrido antes nas diversas esferas da Unicamp. Este período de pandemia tem sito um grande aprendizado um período transformador.”

Dentre esse conjunto de novos desafios e aprendizados, o reitor destaca a importância do acesso às tecnologias para a Educação como um todo. “A Unicamp fez parcerias para garantir aos estudantes o acesso às ferramentas tecnológicas, que são um instrumento importante na formação acadêmica atualmente no mundo. Acho que esse aprendizado remoto será aperfeiçoada para garantir a qualidade da Educação”, acredita Tom Zé.

Rede municipal

As atividades para os 70 mil alunos da rede municipal de ensino de Campinas foram retomadas nesta quarta-feira (21), depois de duas semanas de recesso. A expectativa da Secretaria Municipal de Educação é de uma maior adesão dos alunos ao formato presencial neste segundo semestre – até antes do recesso, a presença nas salas de aula era de 20%.   

Por conta da pandemia, o município mantém o modelo híbrido de aulas presenciais e a distância, atendendo até 35% da capacidade e em forma de rodízio. A presença nas escolas é facultativa e cabe aos pais e responsáveis decidirem se as crianças retornam presencialmente ou seguem acompanhando as aulas por meio da plataforma digital.

Cuidados

O manifesto da Unicef recomenda que o retorno presencial gradativo das escolas a partir de agosto sigam regras rígidas. Dentro da escola, é essencial adotar todos os protocolos de prevenção à Covid-19, como uso de máscaras (de acordo com o recomendado para cada idade), higienização das mãos, distanciamento social, etiqueta respiratória, ventilação dos espaços, limpeza e desinfecção dos ambientes, espaçamento das mesas e organização das turmas.

Além de reabrir as escolas, “é urgente ir atrás de cada criança, cada adolescente que não conseguiu continuar aprendendo na pandemia, ou que já estava fora da escola antes dela”, afirma.

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