Varejo da RMC tem mais de R$ 104 bilhões soltos no ar. Mas eles são só para quem inovar

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Adriana Flosi: só quem inova consegue avançar (Foto: Divulgação)

A pandemia mostrou mais claramente do que nunca o quanto é preciso estar atento (e pronto) às mudanças de cenário e apostar em inovação. O termo parece muito óbvio nessa era de tecnologia acelerada em que vivemos, mas o fato é que muitos comerciantes tiveram dificuldades para atender os clientes de forma virtual quando foi necessário fechar temporariamente suas portas.  E quem não se preparou perdeu espaço na preferência do consumidor da Região Metropolitana de Campinas – que neste ano deve gastar mais de R$ 104 bilhões, conforme estimativa do IPC Maps sobre potencial de consumo.

Para apontar caminhos e estimular a inovação no varejo, a Associação Comercial de Campinas (Acic) realizou na quarta-feira (20) mais uma edição do “Retail Conference 2021 – De volta para o futuro, de olho no agora”. O foco do evento, que foi totalmente on-line e gratuito, foi a transformação digital e as tendências do varejo para os próximos anos.

Para quem quer crescer de forma sustentável e abocanhar parte desses bilhões que os consumidores vão gastar em 2021 e nos próximos anos, já passou da hora de mensurar o impacto da tecnologia nos seus negócios, planejar estratégias incluindo as ferramentas digitais e entender que para se diferenciar da concorrência é preciso também oferecer empatia e engajamento na relação com os consumidores.

O estudo do IPC Marketing Editora, detalhado no IPC Maps 2021 (Índice de Potencial de Consumo), mostra que na RMC serão movimentados neste ano mais de R$ 101,64 bilhões pelos consumidores residentes na área urbana e mais R$ 2,67 bilhões pelos moradores da área rural. Os gastos com habitação vão consumir R$ 28,52 bilhões – o maior peso no bolso dos habitantes da região. Os recursos investidos para manter o carro próprio vão atingir R$ 11,26 bilhões. A alimentação em casa é o terceiro maior gasto na região com um total de R$ 8,49 bilhões.

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Novos tempos

Os varejistas da região que quiserem conquistar os consumidores da RMC terão que investir nas tendências de mercado que passam pela inovação. Mas precisarão ir além: devem encontrar meios de estar mais próximos do cliente e entender os gostos dele. A tecnologia, sozinha, não fará o milagre da multiplicação do faturamento. É preciso estabelecer estratégias que criem pontos de contato que humanizem a relação, ao mesmo tempo que ofereçam agilidade no atendimento com as plataformas digitais, redes sociais e aplicativos.

A presidente da Acic e secretária municipal de Desenvolvimento Econômico e Social, Adriana Flosi, afirma que a crise gerada pela pandemia obrigou o varejo a acelerar o processo de transformação digital, fazendo em cinco meses o que levaria cinco anos (dado da SBVC). “Devido aos momentos de isolamento social, o consumidor mudou o seu comportamento, aderiu às compras on-line e passou a valorizar ainda mais questões como prazo de entrega, pagamento sem atrito e autoatendimento. O que vimos, até agora, foi uma predileção pela compra híbrida – as pessoas compram on-line e retiram na loja física”, disse.

Ela ressalta que contar com canais omnichannel não é mais apenas uma tendência – é necessidade. “Proporcionar experiências semelhantes às das lojas físicas também nos canais virtuais é uma estratégia que coloca as empresas de varejo à frente da concorrência. Ou seja, a inovação é vital. Para oferecê-las, temos à disposição tecnologias como a realidade virtual e  a realidade aumentada e os chatbots, por exemplo. Mas não é preciso reinventar a roda”, diz.

Utilizar bem os dados coletados dos consumidores e personalizar o atendimento já garantem um diferencial, analisa Adriana. Na visão da presidente da Acic, não é mais possível pensar em um modelo de negócio de varejo que não possa ser gerido a distância, em que os estoques da loja física e da digital não sejam integrados e no qual que o consumidor não consiga realizar todas as etapas da experiência de compra de forma linear. “O varejo precisa ser preditivo, precisa antecipar o próximo comportamento do consumidor e, assim, surpreendê-lo com algo que ele ainda nem sabia que necessitava”, aponta.

Futuro

O sócio-diretor da Gouvêa Ecosystem, Eduardo Yamashita, apresentou a palestra “Ecossistemas de negócios: o modelo de organização que está mudando o consumo e o varejo no mundo” tratando de tendências que hoje já são realidades em outros grandes mercados como Estados Unidos e China.

“Eu vejo que o padrão de desenvolvimento do varejo no Brasil vai trilhar um caminho similar ao que acontece há alguns anos na China. Os ecossistemas criados por empresas de varejo são uma realidade em mercados como o chinês e mostram que esse é um dos focos para gerar inovação e chegar aos consumidores, que estão mais tecnológicos”, diz.

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Participantes do Retail Conference 2021: discutindo o que o consumidor quer – e o que ainda vai querer

Os ecossistemas criados por empresas como a chinesa Alibaba, por exemplo, atuam em várias frentes – desde a venda de produtos e prestação de serviços até a logística de entrega. A inclusão dos pequenos e médios negócios nas plataformas oferecidas pelos gestores dos ecossistemas geram constantemente novos negócios e parceiros. Além disso, há a consolidação da posição dessas empresas no mercado via compra de concorrentes. No Brasil, o Magalu, do Magazine Luiza, é um exemplo claro dessa tendência.

Yamashita diz que outro caminho que vem ganhando força no varejo, principalmente na China, é o chamado Community Group Buy (CGB). Nele, as compras são feitas por grupos de consumidores e acontecem de forma totalmente digital através de aplicativos como o WeChat (o WhatsApp chinês). O líder da comunidade faz a intermediação direta da compra com os fabricantes ou as grandes plataformas on-line. Para o especialista, os varejistas brasileiros devem se preparar para essas mudanças, que também chegarão ao país.

Se o médio e pequeno varejo está preparado para esse novo mundo? A resposta está na sua capacidade de se adaptar. É preciso ser muito ágil na transformação digital e estar muito atento às demandas dos consumidores. Essas são as chaves para ser ter sucesso em um cenário competitivo, disruptivo e que exige sempre ter um pé no futuro.

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